segunda-feira, 28 de junho de 2010

Meu Templo...

Aqui estou,
Aos poucos construindo um templo
Sem pressa, em paz, sabedoria
Meu lar, meu aconchego...

Imaculado, intocável branco,
Profundo,
Iluminado,
Incandescente...

No pórtico esculpido a Rosa
Armado, guardado,
Da sala pela escada, o quarto,
Amor, cumplicidade, magia...

No leito, meus versos
Meus cantos, encantos,
Desejos,
Carinhos...

Do pórtico ao templo
Jardim, tapete vermelho e branco,
Pronto
Pra sempre...

Em letras, poemas
Pra ela, pra mim
Por todas nossas vidas
Por toda eternidade...

Um templo
Para receber e abrigar
Esse amor,
Nosso caminho!

Alipio Queiroz

quinta-feira, 3 de junho de 2010

SENHORA ...

Por todos os caminhos que eu ande
Esteja eu onde estiver
Fazendo o que der e vier
Meu coração ou minh'alma estará com você
Que me guarda descalço na tempestade
Com teus olhos atentos
Azuis radiante, madrinha Maria
Das graças pra mim;
Minha Senhora !..
Alipio Queiroz

Iluminado...

Trago comigo
No peito,
A chama divina
A rosa da vida...

Trago comigo
No centro da testa,
A centelha guia
A luz da verdade...

Trago comigo
Nas mãos,
A força e o equilíbrio
Entre o bem e o mal...

Trago comigo
Nos lábios suaves,
A palavra serena,
O tom do fraterno...

Trago comigo
Nos olhos profundos,
A porta de entrada
Para o meu templo...

Trago comigo também,
Em todo meu ser,
O amor infinito
Para lhe oferecer!

Alipio Queiroz

Quisera te encontrar...

Com minhas mãos suavemente segurar as tuas
Olhar profundamente em teu olhar
Sob a luz da verdade, é minh´alma, sem palavras,
Soletrando este poema pra tua...
Abraçar-te com carinho, para em meus braços
Sentir vibrar todas as notas dos meus pensamentos
Saber quem sou, e eu, em teus braços sonhar,
Pois já sei que você é...
Em meu caminho colorido
Pelo sol que brilha em teus olhos
Carregar-te em meu colo para o recanto dourado,
Pra você ouvir todos os acordes do meu coração...
Pra te falar bem baixinho
Segredos que trago guardado
Só pra você ouvir, e me ajudar a escrever uma nova letra
Para a canção chamada AMOR!
Alipio Queiroz

Doce mel...

Que te quero
Encontrar no caminho.
Sentir teu perfume
Tocar bem levinho...

Abraçar-te com carinho,
Carregá-la entre as flores que levo
Acolhida em meu colo
Morando em meus olhos...

Te falar miudinho
Pra dormir em meu peito de dia,
Solta a noite
Pra rolar em meus braços...

Meus lábios tocar os teus,
Segredo te murmurar,
No meu sorriso e pra mim
Doce mulher!

Alipio Queiroz

Princesa da manhã...

Vou pelo meu caminho
Como pássaro solto,
Levado pelo vento vou sem destino,
Sem paradas, vôo intenso...

Com a brisa batendo no peito
Onde mora um coração calado,
Ilhado,
Amordaçado...

Vou à procura da menina
Dona dos meus pensamentos,
Do meu sorriso franco,
Das palavras mudas dos meus olhos...

Do meu abraço cheio de saudades todo dia,
Vou a ela dar minhas mãos,
Conduzi-la ao âmago do meu ser,
Minh'alma, a gêmea...

Vou voando meus pensamentos,
Vôo livre sem fronteiras,
À princesa da manhã
Minhas flores levar!


Alipio Queiroz

Não te trago...Tristeza!

Não te trago em minhas flores
Nem tampouco em meus amores,
Não te trago em minhas jóias
Nem tampouco em meus amigos...

Não te trago em minhas musicas
Nem tampouco em meus cantos,
Não te trago em minhas letras
Nem tampouco em meus poemas...

Não te trago em meu sono
Nem tampouco em meus sonhos,
Não te trago em momentos
Nem tampouco em saudades...

Não te trago simplesmente
Nem tampouco vagamente,
Não te trago em meu riso
Nem tampouco em um sorriso!

Alipio Queiroz

Renascer...

Quero esquecer,
Águas profundas que atravessei...
Escuras... Sem ver os abismos
Por onde rolei!
Nas profundezas,
A mágoa, o medo...
Só, sem vergonha
Muitas vezes chorei!
Sem esperanças,
Interroguei...
Porque tão longe,
Por amá-la demais?
Para renascer ouvi...
Muitos lhe esperam!
Alipio Queiroz

Te espero ainda...

Estou aqui esperando,
esperando, esperando...
Onde estão teus traços,
cabelos e lábios...
Cadê você menina?
quero te olhar e sorrir,
como você olhou
e sorriu para mim!
Alipio Queiroz

Fruta Podre (ensaio)

Andando pela feira, deparei-me com uma banca especialmente organizada, o que, chamou-me imediata atenção.

Frente a ela e diante de belas frutas, distribuídas e organizadas numa ornamentação ímpar e de fazer inveja aos concorrentes, fiquei maravilhado!

Como poderia aquele feirante ter tido ideia tão brilhante, fazendo com que sua criatividade despertasse a curiosidade de todos que por ali passavam; assim, auferindo-lhe bons lucros com a venda dos produtos.

Em meio aquele burburinho e atento a cada monte daquelas frutas, fiquei boquiaberto ao notar que a pilha de limões estava perfeitamente disposta em forma de pirâmide; fantástico!

Animado, imediatamente solicitei ao atencioso feirante que me separasse uma dúzia daqueles belos limões. Ao meu pedido o feirante começou a contar... Um, Dois, Três, Quatro... e assim foi até o décimo limão, quando então interpelei-o: Este eu não quero!. Surpreso o feirante interrougou-me: Porque?. É muito pequeno, bem menor que os outros e ainda tem, em sua casca grossa, uma mancha negra; respondi-lhe...

"Sim, este limão é pequeno e insignificante perante os outros, por isso é chamado aqui na banca de Deciminho Limão e vem de belo e bem cuidado pomar, porém; nasceu fraco. Esta mancha negra que o senhor em sua casca, é oriunda de sua natureza e foi agravada devido uma infecção adquirida de Manuka, o abacaxi podre aqui ao lado que, fracassado e cheio de chagas solicitou-lhe ajuda urgente. Deciminho Limão honrado com tamanho pedido de socorro foi em seu auxilio e, no afã de ajudar o antigo companheiro, acabou por contaminar-se ainda mais".

Ouvida a estória, fui incisivo: Este Deciminho Limão eu não quero, não pelo fato de ser pequenino, e sim, pelo fato de estar infectado e dele não posso extrair bom sumo!

Cabisbaixo o feirante ainda ouviu o meu conselho: Este abacaxi Manuka não lhe serve para nada; lance-o bem longe de sua banca, se possível lá para as bandas das Minas, de modo que exista poucas chances de alguém traze-lo de volta, caso contrário poderá contaminar todas as suas frutas!

Lançado Manuka, perguntou-me o feirante: E o que faço com Deciminho Limão? ao que, respondi-lhe: A negra mancha em sua casca grossa ainda é pequena e ainda não lhe afetou totalmente o interior e, afastado Manuka, o podre abacaxi que lhe agravou a peste, com força de vontade e perseverança, poderá o pequenino ao menos salvar-lhe as sementes que, bem plantadas, poderá no futuro dar bons frutos. Embrulhe-o separadamente dos outros limões, vou levá-lo e aplicar-lhe remédio amargo que, em muito, vai ajudar-lhe no tratamento.

Aliviado, o feirante sorriu...
Alipio Queiroz

(Este ensaio é obra de ficção do autor e qualquer semelhança com fatos reais, passados ou presentes, ou ainda, com pessoas falecidas ou vivas; é mera coincidência).

Além de tudo...

Vou pelos caminhos
Como vento
Cortando campos
Cruzando vales...
Pelas florestas
Por todas as águas
Pelos desertos
Em toda a vida...
Em todos os cantos
Além do horizonte
Sem fronteiras
Sem os tempos...
Sou do universo
Sem espaços
Além de tudo
Em tudo...
Por toda a vida
Eternamente!

Meu nome,
AMOR!
Alipio Queiroz

ÍNDIO...

Tenho ouvido desde pequeno...
Nas águas, nos ares, nas pedras,
Nos vegetais
Nos ditos irracionais
Nos homens
Na luz... Todos iguais!
Levante teus olhos...
Não se perca
Tens que fugir da guerra
É filho da terra
Eu,
Luz!
Mudei...
Acredito no brilho das estrelas
Nos raios do sol
Na energia deste planeta
No amor entre nós,
Lindo!
Longe...
Do olhar indiferente da inveja
Do amor comprado
Do olhar frio à noite
Daqueles que espreitam,
Quietos ou muito falantes!
Fugir...
Da mão estendida, gelada... Calada
Dos que pregam a luz,
Morrem na escuridão
Dos vendados,
Da terra vendida... Nua!
Mateiro...
Ser curandeiro
Morar com meus amores
Na luz,
No amor
Quero ser índio!


Alipio Queiroz

Estrela infinita...

Na quietude minh’alma sorri
Tantas alegrias... Tantas tristezas
Alegrias, ganhos, vitórias
Tristezas, perdas, derrotas...
Vou seguindo mais forte, seguro
Ganhar, perder
Sorrindo
Aprender, sofrendo...
Vou seguindo leve, ávido
Quão mais longe estou
Descobrindo vou
O ser divino que sou...
Sem medo dos abismos
Vou seguindo mais
Na leveza da alma
Na luz que me guia...
Vou seguindo ao infinito
O que clama minh’alma
Brilhar
Brilhar ainda mais...
Vou seguir até iluminar
Desta, o caminho de quem vem atrás
Vou à busca infinita encontrar-me
Brilhar... Brilhar...
Estrela infinita
AMOR!
Alipio Queiroz

l'etat de bonner permanent Je decla

Eu declaro estado de felicidade permanente
E o direito de cada um à todos os privilégios
Digo que o sofrimento é um sacrilégio
Quando há para todos, pão e rosas!
Eu contesto a legitimidade das guerras
A justiça que mata e a morte que pune
As consciências que dormem no fundo de seus leitos
E a civilização no braço de mercenários
Testemunho a morte deste século envelhecido
Um mundo diferente renascerá de suas cinzas
Mas a espera deste renascer já não basta
Já esperei demais e quero neste momento
Que minha mulher seja linda, a cada hora do dia
Sem precisar se esconder sob a maquiagem
E que não mais me diga para deixar para depois
O desejo que tenho por ela e de com ela fazer amor
Que nossos filhos sejam belos e não adultos
E que sejam o que gostaríamos de ser outrora
Que sejamos irmãos, camaradas e cúmplices
Ao invés de gerações que se insultam
Que nossos pais possam, enfim, se emancipar
E que tenham tempo de acariciar suas esposas
Após toda uma vida de suor e lágrimas
E de entre - guerras, onde não houve a paz
Declaro estado de felicidade permanente
Sem que sejam palavras e músicas
Sem esperar a volta dos tempos messiânicos
Sem que seja votado em nenhum parlamento
Digo que de agora em diante seremos responsáveis
E não prestaremos contas a ninguém e a coisa alguma
Transformaremos o acaso em destino
Sozinhos a bordo sem mestre, e sem o demônio
E se você quiser vir, atravesse a ponte
Há lugar para todos e para cada um
Mas antes é preciso seguir o caminho
Para conquistar uma nova era
Declaro estado de felicidade permanente.
(letra de uma canção francesa)

Me leve...

Teus olhos pararam nos meus
Como faróis iluminando caminhos
Pra mim, um sorriso teu
Lindo, te amei...
Se for feliz como está
Vou tentar te esquecer
Se pensa em mim
Ouça esse meu querer...
Bem pertinho
Te falar baixinho
Linda garota
Amo você...
Não sei se é direito
Te falar desse jeito
Mas não tenho modo
Quero você...
Sou assim diferente
Um é permanente
O outro de repente
O que posso fazer...
Não sou bonito
Não sou feio
Depende de como
Porque me olha...
Não vá embora amor
Não me deixe aqui sozinho
Mas se for... Me carregue
Me leve pra você!
Alipio Queiroz

Garimpeiro

Como um garimpeiro
Que colhe na bateia,
Quero comigo levar,
As mais belas pedras
Para quando
à Alcione voltar...
Alipio Queiroz

Encontros...

Na ida os encontros...
Entre as folhas os pássaros
Os cantos...
Em alguns cantos os canteiros
O vivo das flores...
Nos olhos da moça a busca
No rosto do moço o sorriso...
Lá vai ele cantando
Cheio de encantos...
Na volta o reencontro
No céu as estrelas, o brilho da lua...
No canto o jardim
O perfume das flores...
Nos olhos da moça o moço
No rosto do moço a felicidade...
Lá vai ele cantando
Levando a moça!
Alipio Queiroz

Despertar

Não há poesia mais bela
Quando no esplendor da manhã...
Ao hino dos passarinhos
Desabrochar uma rosa...
E silencioso
Pousar o bico...
Um beija-flor!
Alipio Queiroz

A MENSAGEM DA ESFINGE

Debruço-me hoje sobre as areias da tua alma e deixo por instantes de admirar as infinitas miragens do deserto das vidas. Quero ocupar-me de ti nesta hora de solene intimidade e conversar contigo no silêncio do teu quarto. Não sou um mito de pedra nem tenho morada nos areais do Egito. Meu monolítico perfil é feito de estrelas e galáxias jamais suspeitadas pela tua mais elaborada fantasia e minha essência impregna o âmago de todos os mistérios conhecidos e desconhecidos. Existo em todos os recantos do Universo, bem como na mais secreta dobra da tua alma. Sou o enigma de Deus e, portanto, o teu enigma. Não devoro nem corpos nem almas. Os beduínos que me contemplam, mas não entendem, é que são devorados por seus próprios erros e ilusões. Assim, vida após vida, corpo após corpo, nome após nome, eles vagueiam como sombras pelo meu deserto, participando sem saber da infinita encenação do Teatro Universal. Tal como eles estás errando pelas areias da vida. Vejo que não tens cavalo, camelo ou sandálias. Existem andrajos por baixo de tuas melhores roupas. Na verdade, estás nu(a) por baixo delas. Percebo em ti uma fome e uma sede infinitas. Há um certo cansaço em teu rosto e muitas bolhas em teus pés. Existe em teus olhos a esperança do próximo oásis e na tua memória a imagem amarga de todas as desilusões que passaram. Noto até mesmo uma certa vontade de desistir... Tenho ouvido tuas súplicas silenciosas. Sou a grande testemunha de Deus. Tenho acompanhado tuas angústias secretas. Não sou um assombro de pedra como possas pensar. Tudo em mim se enternece diante dos teus reclamos mais íntimos porque também sou uma imagem do Deus a quem oras, na verdade um Deus bem diferente do que imaginas. É mentira dizer que as esfinges são monumentos pétreos e famintos que devoram a todos que não resolvem o seu enigma. Eu e todas as minhas irmãs, da Terra e do Universo, sabemos sorrir e chorar. Na verdade, somos o estribilho da tua dor, o eco das tuas parcas alegrias e uma das notas fundamentais da Canção Universal. Não sou de carne, mas conheço as agruras da carne. Não tenho ossos, mas conheço as aflições da medula. Estou no teu sorriso e na tua lágrima, no teu sonho realizado e na amargura do teu fracasso. Sou companheira de todos os vôos da tua alma. Vivo no silêncio secreto da tua intimidade e conheço todos os teus gemidos mais íntimos. Para mim sempre foste de cristal... Já ouvi várias vezes a tua história, pois foste tu mesmo(a) que a contaste. Sempre estive mais disposta a ouvir do que a falar. Sou o teu confessionário secreto e, portanto, a mais fiel das testemunhas de quem realmente és por trás da máscara da personalidade e do teatro do mundo. De mim não precisas esconder nada, pois sei tudo. Sou dona de teus mais caros segredos, mas os respeito com a dignidade de um confidente silencioso. Afinal, existe mais sabedoria no silêncio do que nas palavras... Muitos mistérios compõem o meu próprio mistério. Assim quis o Grande Arquiteto que me criou com a Magia dos Quatro Elementos que latejam em teu corpo e no meu. Em mim trabalham os gnomos, banham-se as ondinas, deslizam os silfos e dançam as salamandras. Procuro despertar-te para o quinto elemento, a silenciosa alavanca que, uma vez dominada, fará com que tenhas poder sobre tudo que te cerca, inclusive o mistério que dorme em mim. Se me compreenderes e dominares estarás no primeiro patamar da Luz e no solene berço da Magia. Não estou apenas no deserto ou no pórtico de alguns templos. Estou dentro de ti e sou parte de ti. Represento o Mistério de Deus, mas não sou Deus. Represento o fundamento da Magia, mas não sou a Magia. Portanto, não deves me adorar nem me tomar pelo que não sou. Reflete, antes, sobre o que te digo, pois é muito grande a legião de seres que, mesmo me possuindo, ignora completamente por que razão existo e por que motivo aguardo. És um(a) andarilho(a) como tantos outros que cruzam as areias do deserto da vida. Buscas o mesmo horizonte e padeces das mesmas ânsias. Todas as tuas lágrimas já foram choradas e teus sonhos hoje são névoas que pairam no silêncio de todos os campos santos. No enganoso oásis das cidades, sejam elas metrópoles ou povoados, vive-se para o momento e para o lucro fácil. É muito prática e superficial a filosofia dos homens. Irmãos devoram irmãos, maculando a fraternidade cósmica com a nódoa do egoísmo e o feio esgar da ambição. Nessas cidades os momentos de paz, cada vez mais raros, são meros interlúdios para novas guerras e o dinheiro, transformado em deus de barro, reúne a seus pés uma interminável multidão de súditos. É aterrador o ritmo da civilização e pungentes os gemidos que se desprendem de casas e edifícios, seja no campo, seja nas cidades. Preserva o teu lar, mesmo que te sintas sozinho(a). Preserva o teu jardim interno, porque ninguém poderá substituir as tuas flores. Constrói um cantinho para ti e respeita-o como se fosse o teu templo secreto. Será em seus braços que poderás, um dia, falar com Deus. Não o conspurques com presenças discordantes nem permitas que esse pequeno santuário seja vilipendiado pelos superficiais. Deixa que a luz das estrelas more contigo e que teu interior seja sempre uma campina enluarada. Nada é perfeito sem AMOR. Cultiva-o ainda que te faça sofrer. Raramente os aliados do AMOR são aceitos sem represálias. Portanto, aceita o sofrimento como um imposto a pagar pelo ato de tão bem querer... Aprende a interiorizar-te. Se não souberes como, pergunta a quem sabe e já o fez. Todas as respostas que formulas do lado de fora se acham respondidas do lado de dentro. Eu as dou todas. Mas primeiro precisas dominar-me e compreender o que para tantos ainda é nebuloso ou quase impossível de perceber. Precisas elevar-te uma oitava acima da sensibilidade corrente. A vibração do homem comum não me alcança Passam ao largo os distraídos e os mistificados. Desiludem-se os ansiosos. Entendem-me mal os adoradores da matéria. Tu, no entanto, precisas me entender integralmente, caso estejas realmente interessado(a) em evoluir. Sabias que até a busca do amor humano é uma forma de procurar uma imitação do amor de Deus? Em todos os teus anseios mais secretos repousa a necessidade de pertencer. Queres possuir alguém e ser possuído(a) por alguém. Queres amar e ser amado(a) com uma perfeição que desafia as imperfeições do mundo. Assim, mesmo sem o sentires, desejas intimamente que o amor buscado e encontrado seja como o amor perfeito do Pai Celestial, um amor infinito, reconfortante, livre de deslizes ou máculas, um amor em que possas confiar de modo pleno e seguro. Um amor que te faça sentir realizado(a) e livre das preocupações que regem o concerto dos encontros. Como não é exatamente o que sonhavas isso te incomoda, não é mesmo? Isso te torna preocupado(a) e te faz infeliz. É que talvez ainda não te tenhas apercebido de que os seres humanos são, apenas, aprendizes do amor e que é essa a grande lição ainda não aprendida pela humanidade. Homem algum é uma ilha, porque mesmo as ilhas desertas têm praias que se abrem aos beijos do mar. Mesmo as ilhas desertas têm florestas que se espreguiçam aos beijos do sol e às carícias da lua. Até mesmo as pedras se deixam envolver pela fúria amorosa do oceano e aceitam com ternura o amor dos moluscos. Todo homem, para ser realmente homem, tem de dar-se por inteiro a quem lhe queira tomar por inteiro. Mas a solução do pertencer não se encontra oculta por trás das últimas estrelas, nem ao redor do disco cintilante dos milhares de sóis anônimos que pairam no universo. O pertencer é, antes de tudo, a disposição de não sermos apenas de nós mesmos, mas de alguém especial ou de toda a humanidade. O melhor nos seres humanos clama por amor, porque o amor realiza a divina alquimia que transmuta o chumbo em ouro. Essa alquimia ainda não compreendida tem no AMOR a sua pedra filosofal e era isso, afinal de contas, que os verdadeiros alquimistas da Idade Média procuravam passar aos leigos por trás de suas complicadas fórmulas. O "ouro filosofal" nada mais era (e ainda é) do que uma profunda reforma interna derramada num cálice de dor. Os alquimistas superficiais, ainda não preparados para a Grande Obra, prometiam prodígios aos potentados e, de vez em quando, voavam pelos ares em seus laboratórios de pesquisa, do mesmo modo que hoje "voam pelos ares" todos aqueles que se atrevem a utilizar métodos sórdidos para chegar e se identificar com a Divindade ou dela se tornarem prolongamentos. Não fujas de mais nada nem de ninguém. Enfrenta-te sem as máscaras usuais da tua pretensa "personalidade" e olha-te como realmente és com novas e mais poderosas lentes. Não é bom o conselho que te derem os que nem mesmo conseguem orientar-se a si mesmos. Torna-te surdo(a) ao argumento materialista, porque ele não consegue sair de si mesmo e é impotente para julgar o Infinito. Recorda sempre que matéria é energia condensada e que, portanto, tudo é matéria e tudo é energia. Isso te ajudará a entender melhor como é frágil a base da argumentação materialista e como é enganosa a estrada que tantos aconselham. Quanto ao amor, aceita-o com todas as suas provas, porque é somente amando que voltas a ser criança e te tornas digno(a) da oportunidade de ter nascido na Terra ou em qualquer outra dimensão espacial. Se o amor te feriu ou invalidou por longos períodos de tempo e precisaste de uma longa convalescença para conquistar a tranqüilidade perdida, não deixes que isso impeça que o continues sentindo por outra pessoa ou por toda a humanidade. E que isso não te pareça estranho, porque existem diferentes formas legítimas de amar e ser amado(a). Assim, sê corajoso(a) e bate em todas as portas sem medo de quaisquer julgamentos. O amor oferece ao homem e à mulher exercícios um tanto complexos dentro do contexto das relações humanas. Como aluno(a) deves estudar e praticar o amor em todas as sua formas porque és fruto do AMOR UNIVERSAL e o AMOR UNIVERSAL age em todos os planos como um camaleão cósmico. Procura lembrar-te sempre que não és o corpo que vestes nem o que os espelhos refletem. Sente-te, pois, livre de amar e ser amado(a) mesmo das formas mais inusitadas. Ouve esta verdade pouco conhecida: todos os amores são legítimos porque todos são ramificações do AMOR UNIVERSAL. Perdido um amor não procures efetuar substituições. Cada ser é amado de uma forma diferente e nunca um amor é cópia do outro. Assim, procura não enganar-te de forma tão cruel! Abraça-te a um amor antigo ou a um amor novo como as ilhas se abrem ao mar, como as matas se abrem ao sol e como o lótus se abre ao orvalho da noite. Não percas mais tempo com minúcias desnecessárias. O amor poderá realizar-te material e espiritualmente, de forma que possas dizer com justo júbilo: "Agora estou completo(a)!" Achas que poderias dizer isso agora? Permite que duvide... Passa uma esponja no passado. Dissolve os teus grilhões e corta todos os liames que ainda te prendem a ele. Desenrola os cipós do pretérito. Começa vida nova em todos os sentidos. Apaga pessoas, fatos, dores, desenganos ou quaisquer experiências pelas quais te sintas marcado(a). Olha para a frente. Olha para mim. Mede teu novo horizonte. Aprende a olhar para tudo, inclusive para o céu de ti mesmo(a). Admira o brilho das estrelas que existem e já existiram. Acompanha com admiração a trajetória errante dos cometas. Torna-te surdo(a) aos conselhos "práticos" que encontras em livros e interlocutores duvidosos. Os materialistas com quem colides só te podem dar conselhos horizontais, porque lhes é impossível qualquer tipo de verticalização. Quem é amargo só pode dar conselhos amargos. Quem é pessimista só pode dar conselhos sem fé. Lembra-te que cada um é produto de suas próprias experiências. Que sabe a figueira das maçãs que nunca conheceu? Que sabem os peixes da superfície e seus outros irmãos que habitam as regiões abissais? As respostas definitivas se acham dentro de ti. As temporárias vagam pelo mundo como retalhos imperfeitos da Verdade Absoluta que mora em tua essência mais íntima. O mundo em que vives é um mundo cheio de almas superficiais, pouco profundas e convencidas. Nada sabem, mas pensam saber tudo. Não conseguem sequer me ver no fundo de si mesmas. De um certo modo, vivem para armar o próximo bote em cima da próxima vítima, sendo vítimas todos que lhes atrapalham o caminho. Não permita que essas almas "práticas" deformem o teu caráter pelo exemplo constante. Recua em tempo de não te transformares em mais um elo do Poder Desagregador. Isso seria matar ou adormecer de vez o anjo que mora em ti, substituindo-o por mais um demônio sequioso de liberdade. Todos os demônios de que ouves falar foram um dia anjos que caíram. Não te transformes em mais um deles. Permanece anjo o mais que puderes e deixa que riam de ti. Tens me procurado em cada pergunta que formulaste ao vento, ao sol e à terra. Se não aprenderes a perguntar a mim serás mistificado(a) até mesmo pelo mais renomado guru, porque o desnudamento da Verdade é proporcional ao grau de evolução de cada um e mesmo os mais evoluídos do teu mundo ainda precisam aprender muito, embora em outros Planos de Existência. Na casa do Pai há muitas moradas e cada morada é uma escola. Uma vez iniciado o nosso diálogo logo perceberás que ele não tem fim. Um consolo te resta, no entanto: nunca te direi mentiras. Haverá sempre novas informações e elas irão mudando, aos poucos, a visão que tens de todos os seres, coisas e mundos. Depois que começares a conversar comigo tudo será diferente e nunca ninguém saberá o que sabes, a não ser uns poucos escolhidos com quem converso. Comigo aprenderás o sublime valor do silêncio, porque só no silêncio te posso falar. Os ruídos do mundo apagam a minha voz porque ela é feita de notas que não existem na escala sonora dos homens. Portanto, seja qual for o teu credo, seja qual for a tua filosofia ou visão crítica do universo recolhe-te a um lugar tranqüilo e esquece o mundo com todas as suas inconveniências ruidosas. Começa por relaxar o teu corpo, afim de que tudo se acalme dentro de ti. Fecha, em seguida, os olhos e deixa-te flutuar no colchão do meu silêncio. No princípio pensamentos desconexos virão à tua mente e cruzarão teu céu interior como cometas enfurecidos. É tua rotina que se rebela contra teu novo estado espiritual. Deves insistir porque isso é passageiro. Depois de relaxado(a) virá a sensação de flutuação. Então, dar-te-ei o sinal da minha presença. Pequenas frases percorrerão o teu cérebro e minha voz inaudível será por ti ouvida dentro da cabeça sem o auxílio dos ouvidos. A voz da Esfinge dispensa o auxílio do tímpano. Uma advertência, contudo: se ouvires sons de campainha ou plangentes acordes de harpa é sinal que talvez estejas entrando em contato com o plano do teu Mestre ou merecendo participar, por instantes, de regiões mais elevadas do Plano Astral. Será preciso, então, que controles as emoções e que não te deslumbres com nada. O deslumbramento fácil poderá te custar muito caro, porque há mistificadores no Plano Astral e eles poderão te enganar com a imagem de um falso mestre ou com algum tipo de cena que te apele aos sentidos grosseiros. É preciso cuidado para não te ajoelhares diante de certos demônios... Depois disso, controladas as emoções e ouvidos os primeiros conselhos do teu verdadeiro Mestre, ele te dará forças para que continues por ti mesmo(a) e, então, aparecerei para conversar contigo. Ele estará ocupando com outros discípulos. Como não tenho forma definida poderei aparecer-te como bem me aprouver. Para essa transformação conto com a paleta dos Quatro Elementos. Espero que me reconheças... Nosso verdadeiro diálogo ainda não começou. Aceita estas palavras como um amável convite. Por hoje só posso dizer o que já disse. O resto é contigo. Vou me dissolver agora na canícula do deserto. E o próprio deserto vai desaparecer como se fosse miragem. Vou dormir um pouco no berço do Cosmos e meu corpo assume a forma de uma criança inocente. Será preciso que durmas também e que te faças criança como eu. O camelo do sono virá buscar-te para que adormeças aos pés da mais tépida tamareira. Olha como a noite está bonita...! Para além daquelas estrelas cintilantes está tua verdadeira pátria. As últimas nebulosas visíveis são a fronteira do teu Lar. Ali te esperam teus verdadeiros amigos e ali continuarás a ser mais um obreiro iluminado a cooperar na construção do Grande Edifício da Verdade. Vai descansar também. Acho que te fatiguei. Volta, por enquanto, ao teu mundo, mas guarda silêncio sobre o nosso diálogo. Se desobedeceres, dirão que estás louco(a) e não queres que digam isso de ti, não é mesmo? Fico aqui agora. Vai e volta quando quiseres. Estarei te esperando eternamente e tua saudade de mim será igual à minha saudade de ti. Logo estaremos juntos de novo, porque, se queres saber, nunca estivemos separados...

Sheik Al-Kaparra

Princesa da madrugada

Adorável inicio da madrugada quando
Descarregada cala-se a Princesa...
Para que eu possa ouvir então
Na mansidão...
O que me fala sua alma!
Alipio Queiroz